Pensando RAW – A CAPTURA – Introdução

Ivan de Almeida, novembro de 2008

Para bem aproveitar o formato RAW, devemos “pensar RAW” desde a captura da imagem.

A primeira coisa a se compreender para aproveitar o formato RAW é que ele não deve ser usado para obter uma imagem correta já desde a captura. Isso além de não importar, é prejudicial. O grande problema é isso ser contra-intuitivo para uma multidão de fotógrafos acostumados ao uso do JPEG, pois no JPEG precisamos exatamente conseguir a foto na captura.

A maioria dos fotógrafos chega ao RAW depois de longo período fotografando em JPEG. Acostuma-se a ser prudente na exposição, pois o JPEG deixa estourarem facilmente as altas luzes, acostuma-se a conseguir cores “boas” -que na verdade já são pré-configuradas de fábrica-, etc.

Canon 20D, ISO 800, RAW, 2008 - Floreira de Cerâmica

Canon 20D, ISO 800, RAW, 2008 - Floreira de Cerâmica

Nas primeiras tentativas com o formato a pessoa coloca a câmera em RAW mas fotografa como se fosse em JPEG. Fazendo assim, desperdiça alguns dos mais importantes benefícios do formato, e é nessa etapa que, depois de algumas tentativas, declara para si mesma: “Mas isso é inútil!”. Porque está tentando fazer com RAW o que fazia antes em JPEG, e não tentando fazer novas coisas. É bastante interessante observar como o iniciante no formato se angustia porque suas cores não ficam tão vibrantes quanto as do JPEG, e já li em muitos fóruns perguntas assim: “Como é que eu deixo as cores do RAW iguais às do JPEG?”.

Isso demonstra incompreensão da questão. Para fazer igual ao JPEG não se deve usar RAW. É desperdício.

Mas, aí voltamos ao ponto principal, ao problema do Ovo e da Galinha… É preciso conhecer os recursos para ter idéia do que se pode fazer, mas é preciso ter uma idéia do que se quer fazer para bem compreender os recursos, para entender a sua utilidade.

Vamos, então, começar pela captura, pois já na captura começa a fotografia em RAW.

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  1. Ivan, aqui é o Lofwyr dos fóruns de fotografia.
    Show de bola o artigo e, principalmente, a idéia geral do blog. Se me permites, posso adicionar um link para o seu blog no meu?

    Um grande abraço ao amigo!

  2. Obrigado, Raphael;

    Estou tentando fazer algo como os americanos fazem, didático, leve e ilustrado. Temos pouca coisa assim aqui no Brasil.

    É claro que pode adicionar o link.
    No momento ainda não cheguei ao grau de organização e de compreensão das ferramentas do WordPress – e ainda há muito por fazer- para colocar links, etc qui, mas no futuro isso haverá.
    Abraços,
    Ivan

  3. Olá Ivan, Bom dia.
    Confesso que o primeiro texto “O RAW e o RAW” ao mesmo tempo que é bem interessante me deixou também confuso.
    Lendo este segundo texto há algumas perguntas que me levam à reflexão e me induz a pensar que o formato RAW é bem mais poderoso, complexo e interessante que o JPEG.
    É este o formato que imagem ao qual (no momento) tenho de dedicar muitas horas de leitura e aprendizado. Continue escrevendo Ivan… este texto ficou ótimo.
    Sinceros [ ]´s
    Sergio Portela

  4. Obrigado, Sérgio. O Blog tem uma coisa chata, o último artigo fica mais “na frente” que o primeiro, então você leu primeiro o último. Seguindo a leitura na ordem da postagem, na ordem dos capíítulos, aquele lido por você primeiro fará mais sentido.

    Sim, o RAW não é JPEG, e para realmente fotografar em RAW, aproveitando o formato, é preciso mudar a cabeça.

    Grande abraço
    Ivan

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Freqüentando fóruns e listas de fotografia na rede, percebi haver muitas pessoas que tendo ouvido falar das vantagens do RAW como formato para a Fotografia Digital demonstravam uma surpreendente inibição em usá-lo. Comecei a compreender haver uma razão nessa inibição, derivada de uma pergunta oculta. A pergunta era: “Para que?”. Porque as enormes vantagens do formato RAW somente são completamente acessíveis se a pessoa possui uma idéia do que deseja de cada fotografia. O formato em si não contém essa resposta, e não basta colocar a câmera em RAW para obter o potencial do formato. É preciso mais: é preciso mudar a maneira de pensar a Fotografia Digital e abraçar a verdadeira forma digital de capturar e de produzir imagens. Sem isso será somente algo trabalhoso e sem sentido. É preciso, sobretudo, abandonar a idéia da foto digital como “coisa pronta” que se obtém já na captura.

Escrever sobre RAW é como acrescentar um capítulo sobre Fotografia Digital ao livro O Negativo do Ansel Adams. Ou seja, só quem “revela” ou desenvolve a fotografia digital terá interesse nisso. A comparação do RAW com o negativo do filme seria péssima -e é pessíma sob certo ponto de vista- se não fosse ela dar conta precisamente disso: Quem se interessa por RAW é o mesmo tipo de gente que se interessaria em ampliar seus negativos ao invés de mandar para um laboratório fazê-lo. E o tipo de benefício obtido é igual: é obter o controle sobre a imagem em um nível muito superior e dar às imagens um poder de expressão muito maior.

Para tentar dar algumas pistas sobre o uso do RAW é que foi feito este blog. Ele nunca será um curso organizado, nunca responderá a todas as questões. Apesar de usar o formato há quase cinco anos, tudo o que sei aprendi empiricamente. Antes de tudo, este blog falará de “o que fazer”, pois o “como fazer” sempre precisa ter uma finalidade.  Como fazer sem saber porque, nada adianta. Nesse sentido o blog é diferente da maioria das abordagens existentes, e as complementa.

Este blog não tem por objetivo oferecer treinamento em nenhum conversor específico de RAW. O que se discutirá aqui serve para todos, é uma abordagem geral da fotografia em RAW. Eventualmente usaremos um ou outro conversor para mostrar algo ou comentaremos algo sobre algum deles, mas sem intenção de ensinar a usar e sem uma abordagem extensiva de nenhum.

Há excelentes livros em português escritos pelo fotógrafo Clício Barroso sobre o assunto. Para obter um conhecimento sistematizado e estruturado provavelmente é a melhor fonte disponível. Aqui a abordagem é menos técnica e mais ligada ao resultado, embora, é claro, não se possa escapar completamente das questões técnicas. Pelo fato de ter adquirido empiricamente o conhecimento, provavelmente os artigos terão abordagens pouco ortodoxas. Isso não me parece ruim, pois complementa o trabalho de maior profundidade que já existe. De toda forma, é como consigo fazer e espero que seja útil.

Ivan de Almeida


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